Reúso de água: todos em prol da sustentabilidade da cidade de Niterói

As águas cinzas são levadas por gravidade para os filtros de reúso, como no tratamento convencional Foto: Divulgação

Construtoras e moradores aprovam a lei em que edifícios novos terão que incluir o sistema de reúso das águas futuramente. Reciclagem de águas cinzas agradou bastante a população

A partir de agora todos os edifícios construídos em Niterói deverão incluir em seus projetos sistemas para a reciclagem de águas cinzas ? aquelas utilizadas em chuveiros, banheiras, lavatórios de banheiros, tanques e máquinas de lavar.

A lei foi sancionada esta semana pelo prefeito Jorge Roberto Silveira, ? como adiantou na quarta-feira. A notícia agradou aos moradores e foi aprovada pelas construtoras da cidade.

 

A Lei nº 2856, de reaproveitamento de águas cinzas, é aplicável a todas as obras com mais de 500 metros quadrados e que tenham volume potencial de consumo igual ou superior a 20 metros cúbicos de água por dia.

O engenheiro Rui Matoso, da construtora Pinto de Almeida, disse que a empresa já está trabalhando para se adequar à nova lei.

?A Pinto de Almeida está estudando as medidas necessárias para adequação à nova legislação através do Comitê de Sustentabilidade da empresa. Estamos atentos ao tema e nos atualizando continuamente para gerar melhores resultados para os clientes e para a população em geral?, comenta Matoso.

Ainda de acordo com o engenheiro, a construtora, inclusive, já adota medidas para uso eficiente dos recursos naturais nos projetos.

?Um deles é o retardo e reaproveitamento das águas das chuvas, utilização de bacias sanitárias com botões de duplo fluxo e torneiras com temporizadores, visando à economia da utilização da água?, explica.

O engenheiro elétrico Paulo Navarro, de 45 anos, morador de Icaraí, aprovou a nova lei.

?Medidas como essas são de extrema importância, tanto para a cidade quanto para o futuro de nossos filhos?, elogia.

Outra que também aprovou a iniciativa foi a veterinária Simone Coutinho, de 33, moradora de Itaipu.

?Achei ótima essa ideia de reaproveitamento das águas. Acabei de ter um filho e isso é para o bem das futuras gerações?, diz a veterinária, que pretende comprar um imóvel na Região Oceânica dentro das normas.

O prefeito Jorge Roberto Silveira acredita que a implantação destes novos sistemas de reciclagem de água elevaram Niterói ao conceito da sustentabilidade.

?Tenho o maior empenho em avançar nas questões ambientais, sobretudo nas que sejam inovadoras como esta?, declarou o prefeito.

Método ? A norma é de autoria do vereador Paulo Bagueira, presidente da Câmara, e estende obrigações da lei municipal 2630, de 7 de janeiro de 2009, que trata do reaproveitamento da água das chuvas.
De acordo com a Prefeitura, a lei só trata de novas edificações porque obras de adaptação para este tipo de sistema são caras e muito complicadas. E, segundo o Executivo, a diminuição na conta de água em locais que contam com o método chega a 60%.
As únicas águas que não podem ser utilizadas no processo de reaproveitamento são as provenientes de vasos sanitários e de pias de cozinha, neste último caso porque a maioria da população ainda tem o hábito de despejar óleo pelo ralo, o que dificulta o tratamento e pode entupir canos e sistemas de tratamento.

Economia na conta de água - Niterói já conta com o sistema de reúso de água cinza em 18 edifícios residenciais, além de uma empresa de ônibus.
Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Fernando Guida, o retorno financeiro da implantação dos sistemas de reutilização é obtido em poucos meses, com a economia nas contas de água.

?Essa lei, pioneira no Estado do Rio, é fantástica porque preserva a água, que em regiões metropolitanas está cada vez mais escassa, e diminui a necessidade de importação de outros municípios. Em Niterói, somos abastecidos com a água de Cachoeiras de Macacu e com a nova norma podemos ficar mais independentes?, disse o secretário.

Em Itacoatiara, um condomínio inaugurado em abril de 2011 pela Construtora Call, conta com o sistema.

?A princípio, iríamos fazer apenas o aproveitamento da água das chuvas para a rega dos jardins e limpeza da área comum. Mas antes do lançamento, fizemos um estudo sobre a possibilidade de utilizar o sistema de reúso de água das descargas sanitárias, que são consideradas as grandes vilãs do nosso consumo de água?, conta Rodrigo Alves, diretor comercial da construtora.

Retorno ? Alves diz que o investimento foi considerado médio e a expectativa da construtora é de que o retorno financeiro aconteça em dois ou três anos, já que se trata de um edifício que vai durar décadas. n

Como funciona o projeto

O sistema de reaproveitamento da água se baseia na coleta das águas cinzas (lavatório, banho, tanque e máquina de lavar roupa) da edificação em tubulação separada e conduz essa água para uma cisterna, que serve de acumulação.

Ela então é recalcada para uma caixa d?água onde são adicionados os produtos químicos que são necessários no processo (cloro, cal, barrilha e sulfato).

As águas cinzas são levadas por gravidade, sob pressão, para os filtros de reúso S.R.A., como no tratamento convencional, no final desse processo a água já com qualidade para fins de reúso é levada para um filtro lento de leito de brita, areia, pós cloração e luz ultravioleta, a fim de se garantir a potabilidade da água.

Ao fim do processo de tratamento da água, ela é encaminhada para um septo estanque da cisterna da própria edificação e conduzida por um barrilete próprio para ser usada nas bacias sanitárias e torneiras para irrigação e lavagem da edificação.

Segundo Rodrigo Alves, essa água é filtrada e tratada e devolvida para o condomínio e pode ser utilizada para regar jardins, limpeza das áreas comuns e vasos sanitários.

?O funcionamento do sistema é totalmente automático e não carece de operadores ou funcionários extras do condomínio. A economia comprovada está na ordem de 30% do valor da conta de água?, comenta Alves.

 

 



Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br

 



 


Data do artigo: Seg, 01 de Agosto de 2011

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